Não se pode dizer que “aqui há coisa”, mas é verdade que aqui há asneira. Ou melhor. O pleonasmo deu lugar ao asneirasmo, que é uma forma errada de se dizer que se ultrapassou a redundância.
Explicar a coisa não é fácil – pelo menos para mim – mas basta estar com atenção às reportagens (especialmente os directos) das nossas televisões para ouvirmos o jornalista destacado a dizerem que “tenho aqui comigo”, “está aqui” e outras que de tão desnecessárias como estas, por serem evidentes porque se está ali, precisamente porque a pessoa está lá.
E, porque há muita gente que não concordará comigo, peço que façam aqui (não há outro sítio para se manifestarem – pelo menos de forma a que eu tenha acesso imediato) um comentário.
Nervos... Se calhar são nervos. A maioria das redacções das nossas televisões foram tomadas por hordas de estagiários desesperados por emprego, subremunerados, e inexperientes. Penso que isso explica muito do recente fenómeno de quebra de qualidade nos nossos Media.
Isso e um geral mau nível de formação universitária... Quantos erros crassos não aparecem nos exames de português nos cursos de Jornalismo?
Afixado por: Rui Martins em fevereiro 25, 2006 05:37 PMÉ verdade, concordo consigo. Não sou de letras, nem nunca dominei o português. No entanto, percebo que os jornalistas hoje são verdadeiros táxistas da escrita: são profissionais de algo que não dominam. Porém, permita-me também reconhecer que o "português", com mais excepções do que regras, está longe de ser uma ferramenta prática. O inglês, por exemplo, está ao alcance até de um Bush, pelo que contra isso perderemos sempre. Continuamos a ensinar mal o português e a criar gerações que têm orgulho em dizer que não percebem nada de matemática. Leia-se, gerações onde se inclui os grandes entendidos deste nosso português. Pois é por essa razão que se deve manter uma certa calma em acusar os outros sobre aquilo que dominamos.
Atentamente - Zé Soares